Desafios das transnacionais brasileiras

Gazeta Mercantil – 05/11/2008

Acompanhando o processo de globalização, nos últimos anos as empresas brasileiras têm avançado de forma significativa no processo de internacionalização, adquirindo companhias, firmando acordos de cooperação ou joint ventures e fortalecendo sua produção a partir de unidades no exterior. Estamos na “segunda onda” do movimento de internacionalização.

Após a decisão de investir em unidades no exterior, tomada por conglomerados nacionais como Embraer, Petrobras, Gerdau e Vale, empresas de diferentes mercados e portes têm se lançado no desenvolvimento de seu plano de internacionalização.

Trata-se de uma mudança positiva de cultura das empresas brasileiras que deixaram de ser meras exportadoras ou alvo para aquisições e passaram a investir fortemente no exterior.

Porém, a decisão de entrar em mercados internacionais tem implicações profundas sobre o modelo de operação. Os riscos e incertezas são mais elevados quando comparados ao potencial de crescimento de receitas e lucros. O sucesso depende da capacidade de maximizar a base de ativos e conhecimentos desenvolvidos no Brasil e do estabelecimento de nova base de competências, adaptadas às circunstâncias e características dos mercados externos e explorá-las em escala global.

Uma pesquisa recente do Sebrae mostrou que é crescente o número de empresas brasileiras optando pela exportação. Mas este é somente o primeiro passo para atuar no comércio internacional. Para atingirmos o estágio mais vigoroso da operação, é importante fincarmos nossa bandeira em outros países, produzindo, contratando, mantendo relacionamentos políticos, comerciais e gerando recursos a partir de operações internacionais.

Recentemente conduzi um estudo denominado ” Transnacionais brasileiras”, que elencou motivadores, estratégias e resultados do modelo de internacionalização adotado pelas empresas européias, americanas, japonesas e mais recentemente pelos países do grupo dos Bric (Brasil, Rússia, Índia e China). Segundo especialistas, até o ano de 2050, a soma das economias desses quatro países será maior do que a soma do G-6 (EUA, Japão, Alemanha, França, Itália e Reino Unido).

Após a avaliação de cada modelo de internacionalização, fica evidente que existem alguns mandamentos que devem ser seguidos pelas empresas brasileiras. Um dos mais importantes é o aprendizado sobre o mercado, legislação, perfil dos parceiros, clientes e concorrentes e plano interno de capacitação antes de iniciar aquisições ou parcerias. Ampliar o grau de integração da operação brasileira com a internacional, fortalecer a cultura corporativa e conhecer a cultura local também é imperativo. Vale lembrar que o modelo de gerenciamento dos brasileiros tem merecido atenção e elogios ao redor do mundo.

Investir fortemente na consolidação da marca nos diferentes países em que a empresa vai operar deve ser um objetivo estratégico e é o presidente da companhia quem deve conduzir este processo.

Em se tratando de marcas, muitas empresas cometem um erro clássico de avaliação por entenderem que sucesso e recall no mercado brasileiro serão sinônimos de rápido sucesso internacional. No entanto, a marca, aliada a um design criativo, precisa ser cuidadosamente observada para o correto entendimento da proposta de valor da empresa por seus diferentes públicos – clientes, colaboradores, governo, comunidade financeira, entre outros. Nossas marcas devem expressar a essência das nossas empresas, nossa modernidade e força, funcionando como propulsoras de crescimento.

Também devem ser priorizadas a montagem de uma equipe formada por especialistas dos diferentes países em que a empresa atua, para compartilhar conhecimento, estimular a integração e fortalecer o modelo de gestão, além de estabelecer níveis claros de autonomia e poder decisório em todas as unidades, e a criação de modelos de recrutamento de talentos internacionais.

Após anos como mero espectador do comércio internacional, o País deve aproveitar esta oportunidade histórica, pois o cenário mundial é propício ao avanço internacional das nossas empresas. Os ventos estão soprando a nosso favor e temos de tomar a dianteira neste processo. Fazer valer o nosso DNA de brasileiros criativos, trabalhadores e competentes e conquistarmos o que nos é de direito.

kicker: O sucesso depende de maximizar a base de ativos e conhecimentos

(Gazeta Mercantil/Caderno A – Pág. 3) DARIO MENEZES* – Diretor de Negócios Internacionais da Ana Couto Branding & Design e professor do Ibmec/RJ)

Disponível em: http://indexet.gazetamercantil.com.br/arquivo/2008/11/05/60/Desafios-das-transnacionais-brasileiras.html. Acesso em 24/04/2009

Uma resposta para Desafios das transnacionais brasileiras

  1. […] unidades no exterior. Estamos na “segunda onda” do movimento de internacionalização. (veja o artigo) Comentários […]

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: