Pacote de Obama pede saída de presidente da GM

Tribuna da Imprensa – 30/03/2009

WASHINGTON – Horas antes do anúncio do plano de Barack Obama para resgate das montadoras norte-americanas, vazou à imprensa ontem que o presidente de uma das chamadas três grandes está deixando o cargo. A saída de Rick Wagoner do comando da GM seria uma das exigências do pacote que o democrata anuncia hoje em Washington.

Se confirmada, a defenestração do executivo, no cargo há oito anos, marca uma nova fase na presença do governo na economia norte-americana, desta vez num setor da chamada “economia real”, que vem sofrendo com a queda de vendas desde que o derretimento do mercado financeiro, acelerado em setembro passado, congelou o crédito ao consumidor.

Wagoner seria substituído por alguém apontado pela “força-tarefa” montada pela Casa Branca para lidar com a crise no setor automotivo. Essa pessoa não teria o mesmo cargo, mas assumiria como um “reestruturador” da empresa. Tomaria o posto dentro de 30 dias e cuidaria de sanar as finanças da montadora, no que se caracterizaria como uma intervenção com data para terminar.

Não ficou claro se medida semelhante será tomada em relação à Chrysler, outra das montadoras em crise. Em dezembro do ano passado, GM e Chrysler receberam US$ 17,4 bilhões em empréstimos federais para evitar a concordata, divididos em US$ 13,4 bilhões para a primeira e US$ 4 bilhões para a segunda.

Agora, as empresas pediram, respectivamente, US$ 16,6 bilhões e US$ 5 bilhões mais. A Ford não requisitou dinheiro público.

Mais dinheiro

A liberação da segunda injeção de dinheiro estaria condicionada à implantação de uma série de medidas que sanariam as finanças das duas empresas, qualificadas como mal-geridas e antiquadas pela administração obamista. Essas medidas serão detalhadas no plano que Obama anuncia amanhã. Uma delas seria a saída de Wagoner.

Em entrevista a um programa da emissora CBS, antes que a saída do CEO vazasse à imprensa, Obama comentou em linhas gerais seu plano para as montadoras e reforçou a intenção de garantir a sobrevivência de uma indústria norte-americana -havia rumores de que sua administração deixaria as companhias norte-americanas quebrarem, dando lugar às concorrentes asiáticas, consideradas mais eficientes.

“Mas [essa nova indústria automotiva norte-americana] tem de ser desenhada realisticamente para enfrentar essa tempestade e para emergir do outro lado muito mais enxuta, agressiva e competitiva do que é hoje”, disse ele.

“E isso vai significar uma série de sacrifícios de todas as partes envolvidas -gerenciamento, operários, acionistas, credores, fornecedores, vendedores”, afirmou Obama.

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