Seu nível de disciplina favorece uma execução de qualidade?

Por Luciano Vicenzi

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Nos ambientes corporativos de hoje em dia, é comum haver diversas fontes de interferências e solicitações, desviando a atenção dos profissionais de suas prioridades para as necessidades de outrem. Estas constantes interrupções quebram o ritmo de trabalho, comprometem a concentração e a produtividade, resultando em iniciativas, projetos e trabalhos inadequadamente concluídos. Por que isso acontece? Em parte pela própria dinâmica e interdependência da vida corporativa. Mas, talvez a maior parte esteja no nível de disciplina pessoal dos profissionais.

Citada por especialistas em alta performance como elemento base para o sucesso, a disciplina apresenta relação direta com a capacidade de execução de um profissional ou líder. Sem ela não existe execução de qualidade a não ser por um lance fortuito do acaso em tarefas de curto prazo. Do ponto de vista prático, a disciplina aplicada evita a confusão entre movimento e produtividade, agitação e presteza, ansiedade e dinamismo.

A falta de disciplina leva muitos profissionais a se perguntarem após um dia intenso de trabalho, “o que eu, de fato, realizei hoje?” O impacto é ainda mais nocivo para as realizações de longo prazo, seja no cumprimento de objetivos e metas esperados, seja no modelo mental do próprio indivíduo, quando este cria o mau hábito profissional de pensar apenas no curto prazo. Assim, torna-se um profissional da urgência, um bombeiro a apagar incêndios durante o dia inteiro, todos os dias.

Nas corporações em geral, a indisciplina que compromete a execução deve-se a três fatores fundamentais e interdependentes: 1) a falta de definição da empresa sobre o papel esperado de seus colaboradores, líderes e liderados, deixando todos inseguros sobre quais são suas reais prioridades; 2) profissionais com senso de priorização incipiente que, envolvidos pelas pressões das diversas solicitações e cobranças, tornam-se incapazes de precisar onde devem focar sua atenção; e 3) à indisciplina mental do próprio profissional, acomodado a rotina de decisões sem critérios e nem planejamento pessoal de ações. Neste contexto, há muitas vítimas da solução ilusória do “fazer mais do mesmo”, pois agir de qualquer maneira parece mais rápido e fácil frente ao desafio de refletir para reorganizar as metodologias pessoais de execução.

Exercitar a disciplina da execução requer três elementos essenciais: clareza de propósitos; força de vontade para manter o foco; e um planejamento coerente de ações.

1)      Clareza de propósitos significa responder com objetividade a questão: qual a melhor ordenação das minhas atividades para garantir a consecução das prioridades estabelecidas no curto, médio e longo prazo?

2)     A força de vontade para manter o foco é a base do posicionamento, da decisão íntima de realizar, alimentada pela coragem para evitar a obnubilação do discernimento pessoal frente às múltiplas solicitações.

3)     Por fim, o planejamento coerente de ações é aquele flexível o suficiente para prever e incluir a agenda externa, das demandas do dia-a-dia e das novidades tão comuns a qualquer empresa, e inflexível o bastante para não permitir a terceirização da agenda pessoal.

Lembrem-se, os profissionais são valorizados pela sua produtividade e competência de execução e não pelas boas intenções em realizar, embora justas e adequadas. Em qualquer contexto, a melhor justificativa sobre o insucesso não muda os fatos e nem produz nada melhor. E, no final, quem recebe o crédito ou o débito é o seu currículo. Disciplina é coisa de quem tem objetivos; quem não os tem, não vê razão para ter disciplina. Seu nível de disciplina favorece a qualidade de sua execução?

 

 

 

2 respostas para Seu nível de disciplina favorece uma execução de qualidade?

  1. Olá Luciano,
    Acabei de ler seu artigo, e concordo contigo. A disciplina é fator preponderante para um líder de sucesso. É com disciplina que alcançamos nossos objetivos. Parabéns pela matéria. Gostaria de recebê-la em arquivo para inseri-la em nosso próximo informativo abril/2009.
    Aguardo um retorno.
    Saudações,
    Marcia Solange Johann
    Primato Cooperativa Agroindustrial

  2. Yuri Lott disse:

    Olá Luciano, excelente artigo. Concordo plenamente a respeito da importancia da Disciplina, inclusive esta vem sendo a minha frase no MSN há algum tempo: Que bom seria se a disciplina fosse a Lei do Mundo.

    Sobre os fatores corporativos que comprometem a produtividade dos executivos eu acresentaria: a falta de organização física do ambiente de trabalho facilitador de disperção, sobretudo hoje com tantas opções de distração na Internet.

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